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domingo, 12 de dezembro de 2010

Convergência das mídias?

Fazer um review sobre o que aconteceu nos últimos 10 anos em se tratando de internet me parece ser algo muito familiar. Vi o nascimento dos blogs, participando desde os pioneiros neste mercado, vi o crescimento dos motores de busca e sua transformação, as redes sociais se desenvolvendo dia após dia de uma maneira assustadora, tudo isso aconteceu muito rápido mas parece que a geração dos anos 90 nem notou.

Se para a maioria das pessoas acima de 40 anos a possibilidade de ver e falar com alguém que está do outro lado do país é ainda um mistério, essa (re)evolução nos meios de comunicação foi assimilada de uma forma que não alterou abruptamente a rotina das outras pessoas.

Quem hoje em dia sabe responder como vivia e como se comunicava antes do uso do celular? Com os negócios eram feitos? Como o conhecimento chegava e era comunicado sem as redes? Parece que esse mundo sem redes está muito distante, mas ele está bem próximo, a noção de tempo de todos nós foi alterada em função dessa percepção tempo x espaço que a internet proporciona.

Não há como prever, como uma meteorologia, o que será do mundo amanhã. Os estudos apontam tendências e mesmo assim parece haver uma cortina de fumaça sobre as coisas e o modo como elas serão.

A Cultura da Convergência, que Jenkins (2008) se refere, é  ainda um terreno misterioso,mas o seu cerne é a modificação que vai além de um suporte. A exemplo da Biblioteconomia, que vem sofrendo intensas modificações e passando pelo momento de ruptura das suas "verdades", a quebra de seus paradigmas tão consolidados, a sociedade, ou melhor, a comunicação em sociedade, a maneira tradicional de se produzir, disseminar e consumir informação está nesse processo de ruptura com antigos paradigmas. Isso vai muito além do suporte, vai além de um aparelho, de uma tecnologia. Por isso a cultura da convergência. As mídias irão convergir, irão se transformar.

Estamos passando por esse período de transição, que poderá ser longo, do ponto de vista da percepção alterada sobre a qual já falei. Parece que convivemos com o celular desde que nascemos (e para os que nasceram depois de 1995 isso é até possível), o fato é que não nascemos. Não nascemos com um Ipod, nem com celular, nem com orkut, facebook ou twitter em nossas vidas, mas tudo isso foi tão incorporado na cultura que não vimos o tempo passar, e não veremos.

Me pergunto se haverá algum momento de constância, de estabilização das novas formas, e se sim, oque virá depois. Talvez não esteja aqui para ver, mas o certo é que a internet e as novas mídias estão modificando profundamente como as relações em sociedade se dão, estão modificando inclusive o tipo de aprendizagem que os jovens tem e isso terá forte impacto. 

O processo não linear de leitura e aprendizado que o hiperlink trouxe para o dia-a-dia se exteriorizou e foi incorporado a todas as atividades das pessoas, não somente ao ato de navegar em um site. Hoje os jovens estão lendo um texto, ouvindo música, conversando com os amigos, tudo ao mesmo tempo, e não necessariamente que todas essas ações sejam realizadas somente no meio virtual, pelo contrário, as práticas que eles têm na internet se constituem como as práticas na vida real, fora da frente da tela. Isso acontece porque sequer é necessária a presença de um computador para isso: os telefones multimídias se ocupam dessas tarefas de uma forma mais prática.

Nesse contexto a produção e a construção colaborativa de conhecimento tem um papel único. A propriedade intelectual passa por uma crise jamais vista, talvez só comparada com a invenção dos tipos móveis por Gutenberg, que possibilitaram a difusão dos escritos antes propriedades sagradas da Igreja. Hoje parece haver uma modificação nos modos de produção intrínsecos ao capitalismo e as redes colaborativas vêm de encontro com esses valores individuais. A (des)construção da propriedade intelectual parece ser, além de inevitável, necessária. 

Ver mais sobre propriedade intelectual em: MACHADO, JORGE. Desconstruindo “Propriedade Intelectual”. Observatorio (OBS*), v.2, n.1, 2008. Disponível em: www.obs.obercom.pt/index.php/obs/article/download/92/139
Através da mediação tecnológica, uma grande quantidade de pessoas, dispersas geograficamente, e mesmo que nunca tenham antes interagido, pode trabalhar em um projeto comum de grandes dimensões e de relevante impacto social. Parte dessas pessoas pode ter como único interesse colaborar com a coletividade, sem fazer questão de assinar suas contribuições. (PRIMO, 2008, p. 65)
Como destacaria Adorno:
O malestar na cultura, entretanto, tem seu lado social - que Freud não desconhecia,· mas não examinou concretamente. Pode-se falar de uma claustrofobia da humanidade no mundo administrado, uma sensação de clausura em um contexto mais e mais socializado, densamente estruturado. Quanto mais apertada a rede, mais quer-se sair dela, muito embora sua própria estreiteza o impeça. (ADORNO, 1974)
Ao que parece, essa ambiguidade da sociedade moderna/pós-moderna tem frutos bons e ruins, os laços que se criam através das redes, são ainda uma reação aos meios que sufocam, uma reação a esse mundo administrado que provoca essa sensação de clausura. Adorno exemplifica o modo como as pessoas podem reagir a esses fatores com a bárbarie, abordando o Nazismo, mas existem outras formas mais produtivas e mais humanas de tentar fugir dessa rede que sufoca, e a desconstrução dos meios capitalistas através da internet é um desses meios.
Produzir informação e conhecimento passa a ser, portanto, a condição para transformar a atual ordem social. Produzir de forma  descentralizada e de maneira não-formatada ou preconcebida. Produzir e ocupar os espaços, todos os espaços, através das redes. (PRETTO; ASSIS, 2008, p. 78)
Há quem faça pregações para a destruição de tudo que existe, como existe na forma atual. Ouvimos o anúncio do fim do livro, o anúncio do fim da televisão, do rádio e de todas as coisas como as conhecemos agora, mas é importante destacar que, como também coloca Jekinks (2008), por enquanto a Cultura da Convergência está no patamar do acesso, e o acesso ainda é restrito. 
Contudo, devo reconhecer que nem todos os consumidores têm acesso às habilidades e recursos necessários para que sejam participantes plenos das práticas culturais que descrevo. Cada vez mais, a exclusão digital está causando preocupações a respeito da lacuna participativa. [...]muitas das atividades que este livro descreverá dependem de maior acesso às tecnologias, maior familiaridade com os novos tipos de interação social que elas permitem e um domínio mais pleno das habilidades conceituais que os consumidores desenvolveram em resposta à convergência das mídias. Enquanto o foco permanecer no acesso, a reforma permanecerá concentrada nas tecnologias; [...] (JENKINS, 2008, p. 49)

A exclusão digital é muito forte e os que detém a produção do conhecimento são os mesmos de sempre, a mesma classe de sempre: [...]são, de maneira desproporcional, brncas, do sexo masculino, de classe média e com nível de escolaridade superior. São pessoas que têm o maior acesso às novs tecnologias midiáticas e dominaram as habilidades necessárias para participar plenamente das novas culturas do conhecimento. (JENKINS, 2008, p.50). Jenkins se refere aos Estados Unidos, mas essa é uma realidade  também aqui no Brasil.  Isso pode ir se modificando aos poucos com ações que têm início nas bordas do processo. Mas essa transformação, se efetivada com abrangência da maiorias, levará ainda muito tempo. Por isso:  "[...] o prazer de ler jornal na mesa do café da manhã e comer pipoca em uma sala escura diante de uma grande tela, ainda estará sendo vivenciado por muitos anos. (PRIMO, p. 66)"

Caso contrário, veremos sempre a hegemonia predominando as relações de produção, disseminação e consumo da informação. Quando o acesso for mais democrático, o patamar será da participação e aí sim, a Cultura da Convergência, processo que já foi iniciado, atingirá outra esfera e uma nova era será vista. Mas a transformação talvez não seja sentida tão fortemente pelos que estarão sendo sujeitos ao mesmo tempo produtores e consumidores dessa nova sociedade.

REFERÊNCIAS
ADORNO, Theodor. W. Educação após Auschwitz, In: _______. Stichworte; kritische Modelle 2. Frankfurt: Suhrkamp, 1974. Trad. por Aldo Onesti. Disponível em: http://www.scribd.com/doc/7009533/Theodor-Adorno-EducaCAo-ApOs-Auschwitz. Acesso em: 05 dez. 2010.
 
JENKINS, Henry. Cutura da convergência. São Paulo: Aleph, 2008. Disponível em: http://moodleinstitucional.ufrgs.br/mod/resource/view.php?id=133745. Acesso em 05 dez. 2010.

PRETTO, Nelson de Luca; ASSIS, Alessandra. Cultura digital e educação: redes já!. In: PRETTO, Nelson De Luca; SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. (Org.). Além das redes de colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder. Salvador: EDUFBA, 2008. Disponível em: http://www.repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ufba/211/1/Alem%20das%20redes%20de%20colaboracao.pdf. Acesso em 05 dez. 2010.
 
PRIMO, Alex. Fases do desenvolvimento tecnológico e suas implicações nas formas de ser
conhecer, comunicar e produzir em sociedade.
In: PRETTO, Nelson De Luca; SILVEIRA, Sérgio Amadeu da. (Org.). Além das redes de colaboração: internet, diversidade cultural e tecnologias do poder. Salvador: EDUFBA, 2008. Disponível em: http://www.repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ufba/211/1/Alem%20das%20redes%20de%20colaboracao.pdf. Acesso em 05 dez. 2010.

domingo, 21 de novembro de 2010

Prêmios de Comunicação, de Responsabilidade Social e de Inovação em Educação

O SINEPE/RS divulgou no dia 12/11 a lista dos vencedores dos prêmios, edição 2010. Os três primeiros colocados em cada premiação serão homenageados no aniversário do Sindicato, dia 1º de dezembro, na PUCRS em Porto Alegre.

Conheça os vencedores:  http://www.sinepe-rs.org.br/core.php?snippet=noticias_interna&id=11558

Museus New Generation

Com todas as modificações vistas até aqui no meio digital um último tema ainda falta ser abordado: os museus. 

Os Museus são as instituições mais ligadas a uma tradição bem consolidade há séculos, e é desafiador pensar em uma modificação em seus conceitos, tão arraigados em todas as culturas.
No trecho de Galeano (2007), na imagem acima, vemos os indios com uma visão totalmente desapegada da conservação de uma peça para admiração e contemplação, para eles o conhecimento e a importância de uma obra-prima do velho oleiro, mais valem incorporados (literalmente) ao material que servirá de base para as próximas obras do novo oleiro que começa. A concepção de memória e a tradição para esses povos é totalmente oposta ao que vivemos em nossa sociedade, por um lado, felizmente. Não que sejamos exemplos do cuidado para com as gerações futuras, pelo contrário, talvez espatifemos no chão, como o novo oleiro fez com a peça, tantas outras coisas muito mais importantes e com valor igual ou superior. 
Fato é que os Museus têm um papel fundamental na conservação dos objetos que trazem em si a história da humanidade, seja na expressão que for. Eu disse objetos?

Loureiro ( 2004, p. 95) destaca o conceito oficial de Museu, definido pelo ICOM (International Council of Museums):
Um museu é uma instituição permanente, sem fins lucrativos, a serviço da sociedade e de seu desenvolvimento, aberta ao público, que adquire, conserva, pesquisa, comunica e exibe, para fins de estudo, educação e lazer, evidência material das pessoas e de seu meio ambiente.
O Houaisss Eletrônico (documento eletrônico) traz uma definição mais sucinta: "subs. masc.: instituição dedicada a buscar, conservar, estudar e expor objetos de interesse duradouro ou de valor artístico, histórico etc."

Até aqui nada a se questionar sobre o papel do Museu, certo? Errado. Se lermos com atenção os dois conceitos veremos que existe uma grande restrição física ao papel do Museu. Objetos, evidências materiais e afins pressupõem uma existência física, logo, está indo de encontro aos princípios que temos falado até aqui sobre novas mídias, não?

Ainda bem que os profissionais envolvidos nessa área se deram conta dessas modificações impossíveis de serem paradas ou refutadas e, em 2001, expandiram o conceito oficial: "'centros culturais e outras entidades voltadas à preservação, manutenção e gestão de bens
patrimoniais tangíveis e intangíveis (patrimônio vivo e atividade criadora digital)' foram oficialmente admitidas como membros da categoria 'museu'." (LOUREIRO, 2004, p. 94)

Bom, agora podemos falar sobre os Museus nesse novo contexto "digital". Mas quais foram as iniciativas que os Museus tiveram para seguir o fluxo das mídias digitais?

Primeiramente, seria inaceitável no final dos anos 90, alguma Insituição que não tivesse um site, assim a primeira atitude de qualquer instituição foi colocar em prática o projeto de um site, e com os Museus não seria diferente.

Alguns pensamentos precavidos - ou desconfiados e pessimistas - se preocuparam com a questão da substituição: o público se contenta com as visitas virtuais e não quer mais ir ao Museu físico. Mas é importante marcar o seu papel e não se oferecer por inteiro no meio digital, até porque uma imagem, uma reprodução no meio virtual jamais irá trazer consigo as características intrínsecas de uma obra de arte vista ao vivo.

Oliveira (2007) destaca que não há, por parte dos defensores da idéia do Museu na Web, a idéia de substituição do museu físico pelo virtual e sim é a importância de um trabalho em conjunto para beneficiar a informação e a comunicação. É o que chamam de museu sem muros (OLIVEIRA, 2007; CARVALHO, 2008). 

A premissa das mídias digitais é oferecer informação democratizada, a todos, o acesso universal. Hoje, pessoas que jamais poderiam ir à França, podem visualizar obras de arte importantes através do Louvre Virtual.


REFERÊNCIAS


CARVALHO, Rosane Maria Rocha de. Comunicação e informação de museus na internet e o visitante virtual. Revista Museologia e Patrimônio, v. 1, n. 1, Rio de Janeiro, 2008.

GALEANO, Eduardo. Palavras andantes. Porto Alegre: L&PM, 2007.


LOUREIRO, Maria Lúcia de Niemayer M. Webmuseus de arte: aparatos informacionais no ciberespaço. Ci. Inf., Brasília, v. 33, n. 2, p. 97-105, maio/ago. 2004.


OLIVEIRA, José Cláudio. O museu digital: uma metáfora do concreto ao digital. Comunicação e Sociedade, v. 12, São Paulo, 2007, pp. 147-161.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Vídeo e informação

Antes de dar início às considerações sobre o uso do vídeo no contexto informacional, veja um exemplo de como esse uso está sendo feito.


Leia mais em: 


domingo, 22 de agosto de 2010

Sobre as mídias alternativas

Google Imagens
Para um primeiro post, uma breve introdução sobre o Blog.
Porque mídias digitais? E porque alternativas?
Quem são essas mídias, porque elas são, onde estão e o que fazem?

Em 10 anos a forma de comunicação em sociedade se alterou de uma forma bem peculiar. A geração de nossos pais jamais pensaria a hipótese de falar com alguém através de uma tela, como vendo uma TV. Até mesmo para a geração de nossos irmãos mais velhos (me refiro aos irmãos mais velhos que, hoje, tenham seus 30 anos) esse tipo de tecnologia parecia ser apenas coisa da família Jetsons, muito futurista.

Me recordo ainda de folhear algumas coleções de livros (da décade de 50) da biblioteca do meu pai, ainda pequena, e num dos volumes sobre "Ciência" a estimativa era que o homem conseguisse pisar na Lua, com otimismo, no ano de 2020. Realmente o tempo parecia ser muito longe. No entanto, na década seguinte a Lua já era uma realidade.

Ainda não vamos à faculdade dentro de uma nave espacial, tal qual os personagens do desenho e dos filmes futuristas,  no entanto, a internet revolucionou as formas de comunicação em um espaço de tempo tão curto e surpreendente quanto a chegada à Lua no final dos anos 60 enquanto a previsão de alguns era para mais 50 anos.

As mídias digitais estão numa esfera intocável, o mundo virtual parece não ter limites e porque a escolha  delas como foco deste blog? Porque elas, inicialmente menosprezadas, estão fazendo todos repensarem seus conceitos sobre os processos de busca e uso da informação, os processos de comunicação da ciência e da comunicação da sociedade num todo.

Blogs, fotologs, videologs, fotografias digitais, jornais e periódicos eletrônicos fazem parte dessas mídias , mas porque o termo alternativas para o nome do blog?

Segundo o Houaiss (2009, online):

Alternativa: subst. fem. 1.sucessão de coisas reciprocamente exclusivas que se repetem com alternância 2.uma de duas ou mais possibilidades pelas quais se pode optar.
Alternativo: adj. 1.que se diz, faz ou ocorre com alternância 2.que oferece possibilidade de escolha, de opção 3.capaz de funcionar como outra resposta, remédio, saída etc 4. que se propõe em substituição ao sistema cultural, técnico ou científico estabelecido 5 .que representa uma opção fora das instituições, costumes, valores e ideias convencionais.
Pelas definições apresentadas já se pode deduzir a relação entre as mídias digitais e as mídias tradicionais e convencionais de comunicação e informação. Verificar como elas se comportam, coexistem e os pontos de convergência entre as duas bem como as influências de uma sobre a outra são alguns dos propósitos do blog, como consta no objetivo da Disciplina (veja mais em Sobre este blog).

As demais perguntas apresentadas no início deste post serão respondidas ao longo do semestre a partir da elaboração do blog. O foco será  a ferramenta blog em si, mas isso não exclui que seja abordado algum conceito referente às demais mídias digitais em voga, como os canais de vídeo, de fotos e afins.

Enjoy it.